Um quadro precisa de um título?
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Quando olham para um quadro numa exposição, os vossos olhos vão primeiro para a tela… ou para a pequena legenda pendurada ao lado? Muitas vezes fazemos as duas coisas ao mesmo tempo! E isso leva-me a uma pergunta muito simples: um quadro precisa mesmo de um título?
O título, uma pequena porta de entrada
Um título é um pouco como uma mão estendida. Dá uma pista, um ambiente, às vezes um lugar. Quando lemos «Pôr do Sol no São Julião», pensamos logo num pôr do sol sobre uma praia, e olhamos para as cores de outra maneira.
Para quem não se atreve muito a entrar numa obra abstrata, o título ajuda muito. Tranquiliza, abre a conversa. Aliás, perguntam-me muitas vezes o título de uma obra: é a prova de que conta!
E «Sem título», então?
Muitos artistas escolhem, pelo contrário, não dizer nada. «Sem título», ou simplesmente um número. É uma forma de vos deixar todo o espaço. Nenhuma pista, nenhuma história imposta, só vocês e a tela.
É também uma bela liberdade. Cada um pode ver o mar, uma cidade, uma emoção, uma recordação… e ninguém está errado.
Quando o título muda o olhar
Experimentem: olhem para uma tela sem ler o título, e depois leiam-no. Muitas vezes, alguma coisa muda. Uma forma torna-se um rosto, uma mancha de cor torna-se um sol. O título pode abrir uma porta, mas também pode fechar outras.
É por isso que a pergunta não tem resposta certa ou errada. Tudo depende do que o artista quer partilhar, e do que vocês querem receber.
E comigo?
Comigo, a escolha do título é às vezes evidente… e às vezes uma verdadeira dor de cabeça!
Pode vir da emoção do momento, como em «La Vie Est Belle» (a vida é bela). De uma recordação de viagem: «Antelope Canyon», «Kyoto, Kyoto», «NYC». De uma música que oiço enquanto pinto: «West Side Story», «Requiem», ou os êxitos dos anos 70 para a minha série Pop. De uma data também: «Lilou», pintado no dia em que nasceu a Lilou, neta de uma amiga muito querida. De um cantor de quem gosto, com «Léonard». Dos meus encontros com o oceano: «Golden Hour», «Infinite Blue», «Fiery Silence». Ou dos pores do sol, com «Solstice» e «Pôr do Sol no São Julião».
Enfim, nem sempre é fácil… mas muitas vezes é, mesmo assim!
Então, um quadro precisa de um título? Para mim, sim! Sei todos os meus de cor. É um pouco como dar um nome a um bebé a quem acabámos de oferecer a vida.
E vocês?
Quando olham para um quadro, leem o título antes ou depois? Já houve um título que vos fez mudar de opinião sobre uma tela? Digam-me pelo WhatsApp, adoro ler-vos.
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Com toda a minha amizade,
Lenon B
Pintora contemporânea, Ericeira, Portugal