Illustration for the portrait of Victor Vasarely, father of Op Art

Victor Vasarely, o pai da Op Art

Há artistas que nunca deixam de surpreender o olhar. Victor Vasarely é um deles: as suas linhas, formas geométricas e ilusões de ótica parecem mexer-se mal olhamos para elas. Eis um pequeno retrato daquele a quem chamam o pai da Op Art.

De Pécs à Op Art

Victor Vasarely nasceu a 9 de abril de 1906 em Pécs, na Hungria. A sua infância feliz foi abalada pela guerra, e o seu caminho até ao reconhecimento como pai da Op Art é o de um homem apaixonado pelas formas e pelas cores. O gosto precoce pelo desenho e pelas séries, alimentado pelas memórias coloridas da mãe e pela riqueza do folclore húngaro, levou-o a uma obra que ultrapassa largamente as fronteiras da pintura.

Da publicidade ao espaço público

Antes de se dedicar inteiramente à sua arte, Vasarely teve sucesso na publicidade, onde o seu talento de designer gráfico brilhou. Mas as criações comerciais não lhe bastavam. Sonhava tirar a arte dos museus e projetá-la no espaço público, uma ambição ousada para a época.

Na primavera de 1955, a galeria Denise René, em Paris, apresentou a exposição coletiva Le Mouvement, da qual Vasarely foi um dos grandes impulsionadores, ao lado de artistas como Alexander Calder, Jean Tinguely e Jesús Rafael Soto. Este acontecimento marcante permitiu-lhe afirmar a sua abordagem muito pessoal da arte, centrada no movimento e na interação com o espectador.

Arte em todo o lado, para todos

Vasarely tinha uma visão clara do que a arte podia ser: uma força acessível e omnipresente, capaz de tocar todos os aspetos da vida quotidiana. Num mundo em plena transformação social e arquitetónica, viu a oportunidade de inscrever a arte no tecido urbano e de tornar a beleza acessível a todos. As suas obras, muitas vezes construídas a partir de formas geométricas simples, criam ilusões de ótica cativantes que brincam com a nossa perceção.

Um legado duradouro

A sua arte foi muito mais do que uma experiência visual. Vasarely lançou bases sólidas para as gerações seguintes, e o seu vocabulário ótico espalhou-se muito para lá das galerias, no design gráfico e na cultura visual dos anos 1960 e 1970. Acreditava na colaboração, reunia artistas à sua volta e incentivava o diálogo para lá da criação individual. A Fundação Vasarely, em Aix-en-Provence, continua a testemunhar o seu sonho de uma arte integrada na arquitetura e na cidade.

Falecido em Paris em 1997, Victor Vasarely continua a ser uma figura incontornável, cuja influência ainda atravessa muitos artistas e movimentos. A sua procura incessante de novas formas e a vontade de democratizar a arte continuam a inspirar todos os que querem ir além dos limites da sua criatividade. Os ritmos geométricos e as cores francas dos anos 1970 ecoam, aliás, na minha coleção Pop Seventies.

E vocês? Conhecem Victor Vasarely? Gostam do trabalho dele, ou nem por isso? Gostava mesmo de saber: escrevam-me pelo WhatsApp.

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Até breve,

Lenon B

Pintora contemporânea, Ericeira, Portugal

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