Abrandar para vos conhecer melhor
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Nos últimos seis anos, vivi a um ritmo doido. Feiras, exposições, vernissages, viagens de vai-vem entre a França, Portugal, Itália, a Bélgica... Adorei cada momento dessa fase : descobrir novos públicos, expor as minhas telas em lugares que nunca imaginei, receber prémios que me deram uma confiança que não tinha no início. Foi inebriante, e não me arrependo de nada.
Mas este ano, senti que algo precisava de mudar.
Esta necessidade de abrandar, não sou só eu que a sinto. O jornalista Carl Honoré até criou um movimento à volta disso com o seu livro Devagar (edição brasileira do original In Praise of Slow) : um convite a sair do culto da velocidade e da performance, para reencontrar uma relação mais justa com o tempo. Isto não é desistir nem abrandar por cansaço. É simplesmente escolher, de forma mais consciente, onde ponho o meu tempo e a minha energia.
Conheço melhor o meio da arte hoje. Sei o que uma exposição custa em energia, tempo e atenção, e sei também o que ela nem sempre dá em troca. Sobretudo, conheço-vos melhor : vocês que me seguem por vezes há vários anos, que vêm às minhas inaugurações, que me escrevem, que partem com uma tela debaixo do braço ou simplesmente com uma palavra simpática. Essa relação, quero alimentá-la de outra forma, não apenas ao cruzarmo-nos numa feira cheia de gente.
Por isso, este ano, tomei uma decisão : nada de grandes exposições no exterior que me esgotem toda a energia. Prefiro antes receber-vos em minha casa, no meu atelier em Ericeira, onde podemos realmente conversar, olhar de perto para uma tela, ter tempo.
Um ritmo mais íntimo, não mais pequeno
Abrandar não significa fazer menos, significa fazer de outra maneira. Continuo a pintar, a procurar, a explorar novas cores. Simplesmente, escolho com quem e como partilho este trabalho. É por isso que organizo este ano eventos « Open House Gallery & Studio » em minha casa : o próximo será a 5 de dezembro, em vez de correr atrás das feiras.
E para quem não está por perto, proponho também uma visita privada ao atelier à distância : uma videochamada no WhatsApp, por exemplo, onde vos mostro o atelier e percorremos juntos as obras expostas, só pelo prazer de uma visita. Claro que é sempre melhor ao vivo, mas quando isso não é possível, uma conversa por vídeo continua a ser um momento partilhado ! Basta combinarmos um horário juntos.
Continuo também as sessões MARY, esses momentos de reconexão criativa em pequeno grupo, onde o encontro conta mais do que a performance.
E abrandar também me devolve algo essencial : tempo para pintar sem pensar logo na próxima exposição.
Ainda não sei tudo o que este novo ritmo me vai ensinar, mas já sei que combina mais comigo. E mal posso esperar para continuar a mostrar-vos o meu trabalho de outra forma : mais de perto, mais devagar e, sobretudo, com tempo para nos encontrarmos verdadeiramente.
Com todo o meu carinho,
Lénon B
Artista Pintora Contemporânea — Ericeira, Portugal