«Ousar surpreender-se a si próprio»: a Florence conta
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Há encontros que começam diante de um quadro.
Em agosto de 2025, eu expunha em Knokke, na Bélgica. Um casal parou no meu stand: ela tinha-se apaixonado pelo Barthélemy, ele pelo Nymphéas. Conversámos muito tempo e simpatizámos logo. Ela era a Florence.
A Florence é uma mulher cheia de cor, em todos os sentidos. Nada de pálido nela: adora cores vivas, francas, alegres. E já criava sem o dizer, a tricotar à sua maneira, a brincar com lãs de todas as cores.
Em janeiro, na Ericeira, o céu estava cinzento, e ela veio pôr cor no seu dia: um atelier MARY de pintura. Duas horas a deixar as cores fluir.

A tela dela foi depois partilhada no Instagram. Uma amiga ucraniana da Florence, também artista, viu-a. E em agosto, essa amiga insistiu para que a Florence começasse.
Desde então, vi aparecer no Instagram dela um desenho, depois dois, depois toda uma floração de desenhos coloridos, alegres, cheios de cor como ela. Quis perceber. Aqui ficam as suas palavras.
Os desenhos dela estão no Instagram: @lemeerwintgens
A entrevista
As respostas da Florence foram traduzidas do francês.
Antes do atelier, que lugar tinham a cor e a criação na tua vida?
«A cor sempre fez parte da minha vida. O meu avô fundou uma indústria têxtil familiar no final do século XIX, e sempre vivi nesse meio muito colorido. Adoro tricotar e inventar padrões. Detesto seguir instruções, porque quero ser a única a comandar o barco 😁»

Em Knokke, o que te fez parar no meu stand?
«Antes de mais, as cores vivas das tuas obras. Transmitiam uma energia muito positiva 😎»
O que te deu vontade de experimentar um atelier MARY?
«Sabia que propunhas ateliers, e o tempo estava cinzento: aproveitei a ocasião.»
O que sentiste durante essas duas horas de pintura?
«Deixei a imaginação vaguear. Foi muito alegre!»
E os teus desenhos no Instagram, como começaram?
«Em agosto, quando a minha amiga ucraniana, também artista, insistiu para que eu começasse a pintar.»
Hoje, o que te traz o desenho?
«Liberta-me. Deixo de pensar em tudo, e consigo ficar concentrada assim durante horas, esquecendo tudo!»
O que dirias a alguém que acha que «não é para si»?
«As atividades artísticas são para toda a gente. Cada um, cada uma tem um dom escondido algures dentro de si. Basta descobri-lo, ousando surpreender-se a si próprio.»
E se fosses uma cor?
«O turquesa, porque é uma cor otimista e luminosa.»

O que adoro na história da Florence é que não se resume a uma única porta. Houve as lãs e os padrões que inventa, uma tarde no atelier, uma tela partilhada no Instagram, e uma amiga que a viu e insistiu. Cada uma destas pequenas portas contou.
Porque o clique nem sempre acontece logo na primeira vez. Muitas vezes, um atelier não muda tudo de repente: abre um caminho. Saímos com uma cor, uma sensação, uma pequena vontade, e ela vai fazendo o seu trabalho devagar. Meses depois, algo se abre. É este caminho de abertura que conta, muito mais do que o clique.
E a frase dela toca-me muito: «ousar surpreender-se a si próprio». É exatamente o que desejo a cada pessoa que entra no atelier. Não é preciso saber, não é preciso ser artista: basta deixar-se surpreender.
Fico feliz por ter contribuído, à minha maneira, para esta nova forma de expressão da Florence.
Obrigada, Florence, pela tua confiança, pela tua alegria e por todo este turquesa.
Encontrar a minha experiência MARY
Cuide bem de si,
Com toda a minha ternura,
Lenon
MARY, Make Art Reconnect Yourself, Ericeira